terça-feira, 23 de agosto de 2011

Luz nas trevas



Como poderá ver no meu perfil, o evangelho de João é o meu livro preferido. Uma das características deste livro são os dualismos apresentados por João. Segundo Ana Lucia Santana “os dualistas  compreendem a existência como uma oposição entre formas distintas, ou seja, entre o bem e o mal, o consciente e o inconsciente, luz e trevas, matéria e espírito, alma e corpo, entre outras, as quais não podem ser reduzidas umas às outras. Esta corrente de pensamento pressupõe a diferença fundamental entre corpo e mente, por mais que pareçam não ser distintos um do outro à luz da percepção sensorial.” (disponível em http://www.infoescola.com/filosofia/dualismo/, acesso em 23/08/11).
Tanto no campo filosófico como no teológico, o dualismo sempre apresenta uma contraposição de duas idéias. Um dos dualismos apresentados pelo apóstolo João em seu evangelho é o de luz e trevas, mas aqui começa a divergirem o conceito filosófico e teológico. Enquanto na filosofia o dualismo se representa por duas idéias iguais e antagônicas, sendo uma exatamente o oposto da outra, na teologia apresentada por João, percebe-se que, embora antagônicas e opostas, elas não são iguais: “A luz resplandece nas trevas e as trevas não prevaleceram contra ela” (João 1:5). Ou seja, embora a escuridão seja a ausência de luz, a luz sempre resplandecerá sobre as trevas. Falando de modo mais simples, a luz sempre ganha. A escuridão não pode, por si só, ocultar a luz, ainda que esta seja proveniente da chama de uma vela. A luz se destaca mesmo em meio ao breu total. Cristo é apresentado por João como sendo esta luz que vence as trevas “a vida estava Nele, e ela era a luz dos homens” (João1: 4) e “falou-lhes, pois, Jesus outra vez dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas mas terá a luz da vida” (João 8:12).
Os cristãos são conclamados a atuarem como luz neste mundo: “vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14). Ser “luz” é colocar-se em uma posição de evidência. Nesta posição estamos sujeitos a críticas e a rótulos. Estamos sujeitos a sermos taxados de ridículos e loucos. De desinformados, de tapados, e até mesmo de ignorantes. Não temo os rótulos. Não me preocupo com o que os outros pensam de mim. Não me preocupo com aqueles que estão à espreita esperando que eu erre para prontamente apontar e debochar dos meus erros.  Ser luz no mundo não quer dizer que sou infalível, quer dizer apenas que me disponho a ser exemplo para outros. Que me coloco disponível e a disposição do próximo para “brilhar” na vida dele. Mas o brilho que quero mostrar não é próprio. “É necessário que Ele (Cristo) cresça e eu diminua” (João 3:30).

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